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Artigos

  • A dor das coisas

    Camoneanamente, ou não, lembramos a "dor das coisas que passaram". Em Virgilio Maro, o poeta de Mauá, já lemos essa expressão de mémória do sofrimento passado.

  • Respeitar as diferenças

    O sucesso no Brasil para alguns é motivo de raiva e cria desafetos. Alguém disse isso antes de mim, acho que foi o maestro Antônio Carlos Jobim. Não importa, é o que sucede.

  • Biografias

    Adélia Prado, poeta mineira, confessa que "biografias são desejos". Não sei se o são. Sei que elas se recobrem de camadas de alma. Como as folhas tampam, a ramagem da árvore.É verdade que entram fatores políticos, sentimentais e históricos numa biografia. Porque nada vem sozinho na escrita.

  • A língua dos vencidos e dos vencedores

    Escreveu um texto belíssimo sobre a palavra, Eduardo Galeano:"O Paraguai fala o idioma dos vencidos (o guarani). E a coisa mais estranha ainda: os vencidos acreditam, continuam acreditando, que a palavra é sagrada, porque ela revela a alma de cada coisa. Acreditam os vencidos que a alma vive nas palavras que a dizem. Se eu dou a minha palavra, me dou."Isso deve também suceder com a língua dos vencedores, porque sagrada persiste sendo a palavra. Sombra da grande Palavra que fez o céu, a terra e as estrelas. Sombra daquele que é a Palavra.

  • Merquior, embaixador da inteligência

    Conheci José Guilherme Merquior. Foi meu confrade e amigo, o que considero um privilégio. Viveu 50 anos e era como se tivesse vivido um século. No auge da intensidade e do fulgor. Foi um erudito sem perder a humanidade; foi inteligentíssimo, para não dizer cintilante, sem esquecer o toque, "a essência real que o tato exige", na expressão feliz de Lope de Vega.

  • Sermão aos peixes da Urca

    Não vou pregar, de início, como Pe Antônio Vieira aos peixes, simplesmente vou deixar que os peixes preguem a nós, humanos. Podem ter lá seu sermão com versículos da maré. E de minha parte, serei atentíssimo  ouvinte.

  • A incompetência ambulante

    Com  júbilo, como brasileiro, já vislumbramos a personalidade independente da presidenta Dilma Rousseff, o que pressentimos, ao conhecê-la pessoalmente, antes de sua candidatura. A autoridade para governar, a segurança nos objetivos que separa - e ainda bem - a  gestora comprometida na responsabilidade da administração pública e o astucioso e mirabolante ser político, esse que cede aqui e ali, para dominar adiante, sem prever o prejuízo presente ou futuro.

  • A jaqueira dos ditadores

    "Os ditadores estão caindo um a um como jacas" - escreveu o mestre cronista Luiz Fernando Veríssimo. Também é suspeitável a hipótese de que tais ditadores fossem jaqueiras que dessem espinheiros, certa mescla inabitual dentro da natureza, mas bem provável no dúbio mundo da política.

  • Uma escada

    Não alcançamos muito, embora sonhemos muito. E não há prejuízo algum em sonhar. Sempre tentamos buscar além, como se as estrelas estivessem debaixo de nós e o movimento fosse apenas de subir. Porque as ambições não são somente procuradas por nós, nutridas com o trabalho e o esforço, mas elas também nos procuram e se tornam uma espécie de segunda natureza. E ai de nós se não tivermos!

  • A banalidade

    A mídia televisiva, em regra, nos acostuma com a banalidade. E, por vezes, sem querermos, recebemos essa poeira de estrada em pleno rosto. Mal dissimulam a informação vazia que nos fornecem, sem qualquer significado cultural, a pobreza do pensamento se reveste de uma pobreza ainda maior e mais ostensiva, a da ignorância.

  • Epifania

    Não é um pôr de sol que muda a nossa vida, é a nossa vida que muda um pôr de sol e o torna inefável ou irrepetível. Ainda mais se for dia de amor, inocência ou arrebatamento. Ou nem isso, se antes o olhar da amada nos focar e o sol penetrar pela vidraça como através da alma. E o pôr do sol teria a magnitude da Nona Sinfonia de Beethoven, ou de alguma Cantata de Sebastião Bach, semelhante à epifania que decorre do ato de justiça, ou da criação, pois a beleza e a moral se atraem magneticamente.

  • A urgente necessidade de um Código Penal Econômico

    No ano em que Portugal entrou no Mercado Comum Europeu, a primeira iniciativa jurídica do governo lusitano, na época, foi a de criar um Código Penal Econômico, para acompanhar a evolução do Direito, já existente noutros países europeus, diante dos delitos contra o abuso do Poder Econômico, os crimes de "colarinho branco", e os prejuízos advindos dos privilégios de uma classe, mais abastada, sobre as demais.

  • Ferir a língua é ferir a alma

    Língua é alma. E nós começamos a perdê-la. No momento em que o Ministério de Educação permite a publicação de um livro, denominado 'Por uma vida melhor', da coleção 'Viver e aprender', em que tudo é permitido no que tange à concordância, considerando corretas orações como "nós pega o peixe" e "os menino pega o peixe", temos que registrar o protesto. Como diz o poeta, "podemos não saber o que desejamos. Mas sabemos o que não queremos".

  • A educação não floresce sem cultura

    A Educação não pode estar separada da visão da Cultura. Nem vice-versa. E falta na segunda, o que existe na primeira - uma Lei de Diretrizes e Bases da Cultura Brasileira. A atual Constituição move-se entre generalizações. E embora ressaltando a responsabilidade do Estado a respeito da cultura, nada de concreto apresenta concernentemente a ela. Num mundo de valores, esquecer tal dimensão é esquecer-se.