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Artigos

  • Pe. Antônio Vieira e os peixes

    Diário da Manhã (GO), em 06/01/2009

    Tudo o que o mestre da retórica sacra lusitana percebia, hoje percebemos com igual impunidade. E o que nos surpreende no gênio de Antônio Vieira é a utilização da palavra como arma temível, desdobrável, muitas vezes em chama, ora ao falar aos portugueses, ora aos holandeses (pela invasão), ora no Brasil Colônia, ora aos príncipes, ora ao vulgo, ora aos próprios peixes, não importando a quem, desde que alcance seus intentos de convencer , espantar ou evangelizar. Usando a alegoria, para Octavio Paz – “expressão do pensamento analógico”.

  • Cassiano - Injustamente esquecido

    Jornal do Brasil (Rio de Janeiro), em 16/11/2005

    Cassiano Ricardo foi um poeta que pertenceu a uma raça extinta de bandeirantes da palavra. Ele nasceu em São José dos Campos a 26 de julho de 1895 e, injustamente esquecido, morreu na cidade de São Paulo a 14 de janeiro de 1974.

  • A lucidez inconformada de Otto Lara Resende

    Jornal do Brasil (Rio de Janeiro), em 28/09/2005

    Nascido a 1º de maio de 1922, em São João del Rey, em Minas Gerais, e falecido a 28 de dezembro de 1992, no Rio, Otto Lara Resende foi um dos Quatro Mineiros do Apocalipse, na companhia de Hélio Pellegrino, Paulo Mendes Campos e Fernando Sabino. Formou-se em direito, foi adido cultural das embaixadas do Brasil em Bruxelas e em Lisboa, elegeu-se para a cadeira 39 da Academia Brasileira de Letras, na qual sucedeu a Elmano Cardim, sendo sucedido por Roberto Marinho e pelo atual ocupante, o senador Marco Maciel.

  • A Recife universal do tecelão Mauro Mota

    Jornal do Brasil (Rio de Janeiro), em 10/08/2005

    Nascido no Recife em 16 de agosto de 1911 e morto em novembro de 1984, Mauro Mota foi jornalista e ensaísta. Pertenceu à Academia Brasileira de Letras, eleito para a cadeira nº 26, quando competiu com Thiers Martins Moreira, tendo Laurindo Rabelo como patrono; Guimarães Passos como fundador; Paulo Barreto, Constâncio Alves, Ribeiro Couto e Gilberto Amado, como antecessores; e sendo sucedido por Marcos Vilaça, seu conterrâneo.

  • Adonias Filho continua à espera de um releitura de sua obra

    Jornal do Brasil (Rio de Janeiro), em 01/06/2005

    Adonias Filho nasceu em Itajuípe, Bahia, em 27 de novembro de 1915, e faleceu na cidade de Ilhéus, em 1990. Pertenceu à Academia Brasileira de Letras, ao tempo do seu conterrâneo Jorge Amado, ambos de Ilhéus. Com exceção de Wilson Martins, Eduardo Portella, Octávio de Faria, Afrânio Coutinho e algum outro na estelar esfera dos críticos literários, existe um injustificado silêncio sobre a ficção extraordinária de Adonias Filho, que nos tempos da ditadura militar ajudou tantos intelectuais presos e vítimas de injustas perseguições. Esse silêncio jamais deveria ser o preço a pagar por tantas e tão corajosas atitudes.

  • Octavio de Faria, o fabuador de pesadelos

    Jornal do Brasil (Rio de Janeiro), em 20/04/2005

    Octavio de Faria nasceu no Rio de Janeiro em 15 de outubro de 1908 e morreu na mesma cidade, em 17 de outubro de 1980. O ensaísta de Maquiavel e o Brasil (1931), que depois escreveu Dois poetas: Augusto Frederico Schmidt e Vinicius de Moraes (1935), é o mesmo romancista de A tragédia burguesa, espécie de Inferno, da Divina Comédia Brasileira pela amplitude e o incrível fôlego na criação de personagens, como um Balzac dos trópicos.

  • Literatura na escola

    Com a Educação tornando-se hoje um problema nacional e o emprego do português, em vários níveis, sendo deficiente - tanto: na fala. Como na escrita -, impõe-se uma nova visão. Porque o ensino, em regra, tem sido posto em moldes ou estereótipos onde os alunos desde a infância são enquadrados, e com isso eles vão perdendo, aos poucos, toda a criatividade. E não é em vão que Rilke observava que 'a vida toda estava resumida na infância.’

  • Sobre "História da literatura brasileira"

    No primeiro instante, julguei não ter sido o Sr. Wilson Martins o autor das notas sobre a minha História da literatura brasileira, recém-publicada pela Ediouro, após um trabalho de dez anos, neste Suplemento Idéias, no dia 29 de dezembro de 2007, ao apagar do ano. Foi o fantasma dos fantasmas do Sr. Wilson Martins, cujas sombras maledicentes? Algumas são perceptíveis? Tentaram agravar-me por motivos alheios à criação. Sobretudo porque um poeta e ficcionista intentou tamanha proeza e ele nunca conseguiu escrever uma História da literatura brasileira. Pelo contrário, o Sr. Wilson Martins tem se notabilizado nacionalmente como um crítico esdrúxulo, capaz de afirmar grandes asneiras com total desassombro e ressentimento.

  • O Estado brasileiro

    Se a própria modernidade é constituída de crises, nenhuma é maior do que a que advém do tamanho do estado brasileiro, que é o de um elefante branco que tem extrema dificuldade de caminhar, apesar de toda a propaganda oficial. E quando maior, mais burocracia, mais corrupção e menos qualidade de serviço à população. Já não basta o grande número de ministérios que servem aos partidos do governo em sua insaciabilidade, há desmedidamente uma confusão entre jurisdição de poderes que não se somam.

  • A força de uma poesia

    Ganha a poesia brasileira, cada vez mais, um ritmo de canção que pode ter recebido um antigo impulso no livro "Canções", de Cecília Meireles. Ainda há pouco também Carlos Nejar publicou suas "Canções" cuja força aqui realçamos em artigo recente. Recebo agora o livro "Cantares", de Lúcia Fonseca, digno de figurar entre os belos volumes de poesia publicados entre nós. Veja-se a beleza de seus versos em "Noturno II".

  • O ajudante de mentiroso, de Lêdo Ivo

    Um dos maiores poetas brasileiros, Lêdo Ivo acaba de publicar delicioso livro de ensaios – O Ajudante de Mentiroso (editora Educam/ABL, 2009), que não pode deixar de ser lido pela importância e agudeza. Lêdo não só possui um dos mais belos estilos, é, ao mesmo tempo, aliciante e  irônico, com a picardia de quem sabe da confissão e do ocultamento. Sobre a ficção, alega que todos falamos a verdade e mentimos e que ele, crítico, não passa de um ajudante de mentiroso. Observa que as ciências envelhecem mais que a literatura e que a suprema função humana é a de um animal criativo.

  • A canoa do corpo

    Remo com força para a direita. A canoa é um pouco mais que o corpo.A canoa é o corpo; o rio, alma. A voz das águas tende a vir pelas narinas do sono.

  • A mãe do povo

    Dilma Rousseff é uma pessoa simples e afável. Essa foi a impressão que me deu, ao conhecê-la. Tem uma folha de serviços respeitável no governo Lula e quando secretária no Rio Grande do Sul, mas não é mãe do povo, nem será, como afirma, nem minha mãe, que já tive a minha, insubstituível e faleceu. Penso que se encontra entre as estrelas do firmamento. Nem quero mais mãe alguma, que me basta a vida com sua ternura ou furor, basta a sorte de cada dia, basta a luta de sobrevivência.

  • O revolucionário caravaggio

    Michelângelo Caravaggio nasceu na cidade do mesmo nome em 1571, Itália e faleceu em Porto Ercole, no ano de 1610.Revolucionou a pintura com uso de contrastes, entre luz e sombra, com alta dramaticidade, criando quadros que se destacam por lances de brutalidade ou cenas de sangue. Com uma abordagem reflexiva, ora de ódio, ora de terror, ora de culpa, cercado de uma violência que não se amenizava entre o escuro e o rubro, sendo contraditoriamente, com a paixão, um zeloso defensor da Contrareforma.