Início > Noticias > ‘Penso o Brasil como um livro em construção. Um livro sem escravos análogos e digitais. Um livro de muitos autores. Como se fora o manto de apresentação de Arthur Bispo do Rosário’, afirma Marco Lucchesi em seu discurso de posse na Presidência da ABL

‘Penso o Brasil como um livro em construção. Um livro sem escravos análogos e digitais. Um livro de muitos autores. Como se fora o manto de apresentação de Arthur Bispo do Rosário’, afirma Marco Lucchesi em seu discurso de posse na Presidência da ABL

A nova Diretoria da Academia Brasileira de Letras, eleita no dia 7 de dezembro passado, para o exercício de 2018, tomou posse, quinta-feira, dia 14 de dezembro, às 17 horas, em solenidade no Petit Trianon. O Presidente é o Acadêmico Marco Lucchesi, o mais jovem dos últimos 70 anos (o mais moço, em toda a história da ABL, foi Pedro Calmon, que assumiu, em 1945, com 43 anos de idade).

Em seu discurso de posse, Lucchesi afirmou: “Penso o Brasil como um livro em construção, e desde um ponto zero, talvez, em cujas páginas segue o desejo de inclusão de muitas vozes, num concerto polifônico, estridente, a princípio, e fora do compasso, fruto de uma espera infinita pelo fim da desigualdade. Continuemos juntos. A tolerância é um bem que se constrói em rede, em torno de estatutos de emancipação”.

O novo Presidente disse, ainda: “Sonho um livro de muitas páginas, votado a uma vasta vocação republicana, pela qual lutaram tantos Acadêmicos. Não sei dizer onde começam e terminam os grafites urbanos, os poemas que redimem a crispação de nossas almas e de nossas casas, os desenhos rupestres da Serra da Capivara, a liberdade esboçada nas paredes dos presídios, a leitura do mundo das crianças do asfalto e da favela, das terras quilombolas e das nações indígenas, com suas quase 300 línguas praticadas ainda hoje.  Um livro sem escravos análogos e digitais”.

“Um livro de muitos autores, com muitos ângulos, espelhado, onde cada qual se reconheça em suas páginas, como fizeram Lima Barreto e Machado de Assis. Como se fora o manto de apresentação de Arthur Bispo do Rosário. Uma cartografia total. A memória de tudo, em todos. A Academia, diante disso, é um grafite luminoso, abrindo alguns capítulos, sobre muros que se abatem e passagens para o diálogo, sinal de paz, breve tatuagem no corpo do país, soma de vozes, concerto inacabado, saudoso do futuro”.

A Secretária-Geral, Acadêmica Nélida Piñon, apresentou o Relatório do ano de 2017, resumidamente, e disse, na abertura: “A Academia encarna a continuidade de valores e de espírito público, sem abdicar jamais de seus compromissos com a cultura brasileira, a literatura e a língua portuguesa. Assim, em obediência a esta tradição, damos conta, aqui sumarizadas em extremo, as atividades acadêmicas desenvolvidas este ano”.

E concluiu: “Minhas palavras finais como Secretária-Geral destinam-se a enaltecer o afeto que enlaçou esta Diretoria que ora se desfaz. Desejo ao Presidente Marco Lucchesi, cujo talento brasileiro e universal saúdo com a veemência que a admiração, a amizade e a esperança, conjugadas, exigem. Prezados Acadêmicos e amigos, o que mais lhes dizer para assegurar a todos que fomos felizes servindo a esta Casa de Machado de Assis?”.

 

Saiba mais

A nova Diretoria da ABL

MARCO LUCCHESI – Sétimo ocupante da cadeira nº 15 da ABL, eleito em 3 de março de 2011, na sucessão de Pe. Fernando Bastos de Ávila, Marco Lucchesi, nascido no Rio de janeiro em 9 de dezembro de 1963, é o mais jovem Presidente da Academia Brasileira de Letras dos últimos 70 anos. O mais novo, em toda a história da ABL, foi o Acadêmico Pedro Calmon (1902-1985), que assumiu em 1945, com 43 anos de idade.

Escritor muitas vezes premiado, tanto no Brasil quanto no exterior, Lucchesi é autor de uma obra que abarca poesia, romance, ensaios, memórias e traduções. Publicou mais de 40 livros ao longo de sua trajetória. Primeiro filho brasileiro de uma família italiana, o novo Presidente da ABL notabilizou-se pela criatividade marcada por uma sólida formação intelectual – que inclui o conhecimento de mais de 20 línguas.

Professor titular de Literatura Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Lucchesi tem pós-doutorado em Filosofia da Renascença na Alemanha. Formado em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF), possui mestrado e doutorado em Ciência da Literatura.

Colaborador de importantes órgãos de imprensa, atualmente é colunista do jornal O Globo. Foi editor das revistas Poesia Sempre (Biblioteca Nacional), Tempo Brasileiro e da Revista Brasileira (ABL). É também conhecida a militância de Lucchesi em defesa dos direitos humanos – destaca-se sua participação em projetos literários e educacionais em presídios do Rio de Janeiro.

Seus livros mais recentes são O carteiro imaterial (ensaios), Clio (poesia) e O bibliotecário do imperador (romance). Lucchesi ganhou três Prêmios Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro.

ALBERTO DA COSTA E SILVA – Quarto ocupante da Cadeira nº 9 da ABL, eleito em 27 de julho de 2000, na sucessão de Carlos Chagas Filho, Alberto da Costa e Silva é poeta, memorialista e se dedica à História da África. Ganhou o Prêmio Camões de 2014.

ANA MARIA MACHADO – Sexta ocupante da Cadeira nº 1, eleita em 24 de abril de 2003, na sucessão de Evandro Lins e Silva, e recebida em 29 de agosto de 2003 pelo acadêmico Tarcísio Padilha. A escritora Ana Maria Machado presidiu a Academia Brasileira de Letras em 2012 e 2013. É membro do PEN Clube do Brasil e do Seminário de Literatura da Universidade de Cambridge, na Inglaterra. Integra o Conselho Consultivo do Brazil Institute do King’s College em Londres. Recebeu a Ordem do Mérito Cultural, no grau de Grão-Mestre, a Medalha Tiradentes, a Grande Ordem Cultural da Colômbia, e a Medalha Tamandaré. Publicou mais de cem livros no Brasil, muitos deles traduzidos em cerca de vinte países.

MERVAL PEREIRA – Oitavo ocupante da cadeira nº 31, eleito em 22 de junho de 2011, na sucessão de Moacyr Scliar, Merval Pereira é jornalista e comentarista da Globonews e da CBN e Colunista de O Globo. Foi eleito Correspondente Brasileiro da Academia das Ciências de Lisboa, em novembro de 2016. Em 1979, recebeu o Prêmio Esso pela série de reportagens “A segunda guerra, sucessão de Geisel”, publicada no Jornal de Brasília e escrita em parceria com o então editor do jornal André Gustavo Stumpf. A série virou livro, considerado referência para estudos da época e citado por brasilianistas, como Thomas Skidmore. Em 2009, recebeu o prêmio Maria Moors Cabot da Universidade de Columbia de excelência jornalística, a mais importante premiação internacional do jornalismo das Américas.

EDMAR BACHA – Economista, fundador e diretor do Instituto de Estudos de Política Econômica/Casa das Garças, um centro de pesquisas e debates no Rio de Janeiro, Edmar Bacha nasceu em Lambari, Minas Gerais, de uma família de escritores, políticos e comerciantes. Sexto ocupante da Cadeira 40 da ABL, eleito em 3 de novembro de 2016, na sucessão de Evaristo de Moraes Filho, concluiu a Faculdade de Ciências Econômicas na Universidade Federal de Minas Gerais e, em seguida, obteve o Ph.D. em Economia na Universidade de Yale, EUA. É autor de inúmeros livros e artigos em revistas acadêmicas brasileiras e internacionais. O último livro foi Belíndia 2.0: Fábulas e Ensaios sobre o País dos Contrastes.

 

14/12/2017