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Artigos

  • Em Nome de Quem?

    O Globo, em 06/09/2017

    O governo Temer assume uma atitude cada vez mais distante da realidade. Atribui a si mesmo o papel de novo redentor do Brasil. Pretende-se ilibado, como seus “apóstolos”, cuja sublime presença seria capaz de romper o círculo vicioso da crise, de que ele é parte não assumida.

  • Missa de Réquiem

    O Globo, em 02/08/2017

    Não me alegra a ideia de perdedores na política, nem me rejubilo com a epidemia prisional que se abate no país. Seja no cumprimento da justiça ou como irresistível ânsia predatória, diante de uma Suprema Corte altamente politizada ou partidária. Tampouco festejo o impeachment considerado como antídoto de nossa imensa crise, segundo pregam partidos de exuberante narcisismo.

  • A Náusea

    O Globo, em 05/07/2017

    Na companhia de Pantagruel, famoso personagem de François Rabelais, navego entre as ilhas imaginárias que há séculos deliciam gerações. Abordo primeiro a Ilha dos Ventos, depois a Ilha da Procuração e em seguida a dos Macróbios ou Longevos. E, no entanto, como leitor rebelde, sigo pouco mais ao sul, em busca de novos arquipélagos, não mencionados por Rabelais, mas que poderiam muito bem existir. Penso na Ilha da Mesóclise, regida por Judas II, príncipe do Larapistão. Penso na Ilha dos Escravos, cuja população decidiu abolir a tirania das leis trabalhistas que impedem o crescimento econômico.    

  • Carta a um Jovem Preso

    O Globo, em 07/06/2017

    Caro Luís: suas palavras me emocionam pela força e ousadia. Como um grito no meio da noite. Carta luminosa, escrita com tinta azul, mais ordenada que a caligrafia de seu destinatário. Dividimos a mesma terra, o mesmo céu e a mesma lei. A infância que vivemos nos aproxima um do outro. Irmãos de um tempo sensível, aberto para um mundo indiviso.  

  • Adeus, Eduardo

    Jornal de Letras (Lisboa), em 26/05/2017

    Não direi de minha amizade por Eduardo Portella. Não encontro forças, abalado pela sua partida. Direi apenas do crítico, do pensador, que vivo permanece, como um dos maiores poetas do ensaio em língua portuguesa.

     

  • Ovo de Avestruz

    O Globo, em 03/05/2017

    A posição do ministro da Justiça a respeito da greve do dia 28 de abril deixa um sinal de inquietação. Um sinal comparável à nota que o Planalto soltou no mesmo dia. Não houve uma leitura razoável dos acontecimentos, que não quiserem ou não puderam realizar. 

  • Uma Carta Fascinante e Sem Fim Enviada ao Futuro

    O Globo, em 22/04/2017

    Os “Ensaios” de Montaigne dão a impressão de que foram escritos para o nosso tempo, em pleno século XXI, tal o frescor e a contundência que se desprendem de sua forma de pensar. Hoje, como em meados do século XVI, as certezas se mostram voláteis e os valores mal iniciaram o processo de transmutação.

  • Corpo do Futuro

    O Globo, em 05/04/2017

    Volto a folhear a Constituição de 88 e me deparo com um sentimento de saudade e furor. Primeiro, pelo que fomos, quando a utopia era o centro da agenda e não cedera lugar à platitude da gestão e da governança, idolatradas pela antipolítica. A busca da modernidade tardia passava pelo fim da desigualdade, através de um conjunto definido de políticas sociais que ainda brilham na Constituição e nas leis complementares. 

  • Machado em Portugal

    Comunità Italiana, em 16/03/2017

    Não são poucos os méritos do livro Machado de Assis e a mundana comédia: cinco peças teatrais. Não me refiro apenas ao recorte definido das cinco peças, mas à qualidade intelectual de dois raros leitores, Carlos Pereyro e Alva Teixeiro, feridos ambos pela palavra, autênticos lettraferits, e sem previsão de alta, graças a Deus! 

  • O Grande Incêndio

    O Globo, em 01/02/2017

    Assistimos no começo do ano a um verdadeiro filme de terror nos presídios do Brasil setentrional. Vinte e cinco anos após o massacre do Carandiru, festejamos as bodas de sangue entre nossa desídia e o sistema prisional. 

  • A Fonte do Amado

    Comunità Italiana, em 23/01/2017

    A cada livro do teólogo e escritor Faustino Teixeira adquirimos novas potências ecumênicas e toda uma saudável inquietação em torno das núpcias com o Amado. Como quem restaura as pontas de uma prisca e de uma tarda theologia ou, em outras palavras, a tradição e as malhas do percurso místico, de saltos e abismos, conjugados no plural, quando diminui a tensão dos fios, nas demandas que se alternam entre o mapa e o relevo, o sistema e a aventura. Porque cada biografia mística é matéria intransferível e ao mesmo tempo fonte de partilha, porque o bem, como diziam os antigos, é sempre difusivo.

  • O crânio de Helena

    O Globo, em 04/01/2017

    O ano mais longo de nossa história arrasta-se teimoso por 2017 adentro. Como o pesadelo que nos precipita num beco sem saída. E, no entanto, seguimos despertos, num misto de esperança e desencanto, a enfrentar a lide serpentária dos Três Poderes, com sua parcela de Napoleões de fachada na restauração do país, de que saímos todos com decrescente espessura moral.

  • Um Mozart Afônico

    Comunità Italiana , em 14/12/2016

    Lembro-me do susto e da alegria, da viva emoção na primeira leitura de Poema sujo, adolescente ainda, quando a descoberta do mundo, dentro e fora dos livros, era uma demanda feroz, uma correnteza impiedosa e selvagem. Lembro-me do céu azul, naquela tarde de sábado. Lembro da livraria, em Niterói, da segunda estante do lado esquerdo. E o coração, que batia forte, e do mesmo lado, não me deixava fechar o livro, que continua, desde a década de setenta, vertiginosamente aberto. 

  • De que lado estamos?

    O Globo, em 07/12/2016

    Acoletiva do dia 27 de novembro dos presidentes do Executivo, Câmara e Senado deixou muito claro, com as votações imediatas no Legislativo, quanto cada titular subestima a opinião pública. A coletiva só não foi de todo insossa porque o senhor Temer perdeu-se ao tentar negar procedimentos muito graves, com velhos chavões.