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Sobre o passarinho Mario Quintana

 

Convidado pela ABL para falar sobre o centenário de nascimento de Mario Quintana, o professor gaúcho Sergius Gonzaga veio de Porto Alegre e, em sessão coordenada pelo acadêmico Moacyr Scliar, discorreu na Sala José Alencar, para um auditório repleto e atento, sobre a obra do grande poeta que, infelizmente, não pertenceu aos quadros da Academia.



No correr da sua história, a ABL viu-se obrigada a escolher, em determinadas eleições, entre grandes figuras da literatura brasileira. Mario Quintana concorreu em três ocasiões à ABL nos anos 80, mas as razões eleitorais da Instituição não lhe permitiram alcançar os vinte votos necessários para ter direito a uma poltrona.



Em que medida este fato alcança a sua imortalidade? Em nada. A glória que fica, eleva, honra e consola não é privilégio dos quarenta. Grandes nomes da literatura brasileira ausentes do Petit Trianon podem ser contados às dezenas, sem que essa circunstância nem de longe alcance o valor da obra reconhecida pela crítica e pelo público.



Este é, sem dúvida, o caso de Mario Quintana. E quando lembro seu verso "enquanto os outros passarão, eu passarinho", penso que talvez tenha sido melhor assim. Quintana passarinho necessitava de mais espaço para o seu vôo, hoje e sempre a encantar todos os que, ao passar pelo efêmero da vida, descobrem a essência da obra imortal.


 


Jornal do Commercio (Rio de Janeiro) 29/07/2006

Jornal do Commercio (Rio de Janeiro), 29/07/2006