Morreu na manhã deste sábado (29), em decorrência de falência múltipla de órgãos, aos 85 anos, o Acadêmico, escritor, advogado e jornalista Marcos Vilaça. Ele estava internado na Clínica Florença, no Bairro das Graças, em Recife, onde será cremado. Suas cinzas serão jogadas na Praia da Boa Viagem, onde estão as da sua esposa Dona Maria do Carmo, atendendo a um desejo antigo dos dois.
Vilaça era o sétimo ocupante da Cadeira nº 26 da ABL e foi Ministro e Presidente do Tribunal de Contas da União (TCU).
Foi eleito na ABL em 11 de abril de 1985, na sucessão de Mauro Mota. Foi recebido pelo Acadêmico José Sarney. Presidiu a Academia Brasileira de Letras nos anos de 2006 e 2007 e foi eleito presidente novamente em 2010 e 2011. Também foi membro da Academia Pernambucana de Letras.
Nascido no município de Nazaré da Mata, no estado de Pernambuco, Vilaça é considerado um pensador e empreendedor da cultura brasileira, tendo ocupado cargos em conselhos de órgãos, no próprio Conselho Federal de Cultura, assim como presidiu importantes fundações, como a Funarte e a Pró-memória.
Foi ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) por mais de duas décadas, e ocupou cargos importantes na administração pública do estado de Pernambuco e do Brasil.
No início da década de 1950, mudou-se para Recife, quando passou a estudar no tradicional Colégio Nóbrega, fazendo o então chamado “Curso Clássico”, e se aprofundou nos campos das Letras e das Humanidades.
Em 1958, já depois de concluir seu curso no Colégio Nóbrega, deu início à outra carreira profissional: tornou-se professor de História do Brasil no Ginásio de Limoeiro, colégio de grande respeito na região.
Em seguida, ingressou ainda muito jovem no curso de bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Após tornar-se bacharel em Direito na mesma faculdade em 1962, passou a cursar o mestrado em Direito da UFPE, o que lhe permitiu tornar-se professor daquela instituição já no ano de 1964.
Marcos Vilaça passou a lecionar nesse ano a disciplina de Direito Internacional Público e a de Direito Administrativo, a qual afirmou ter sido muito útil ao desempenho de suas funções quando se tornou ministro de TCU.
Obras mais importantes
Na década de 1960, Marcos Vilaça construiu uma carreira significativa na literatura, área que o consagrou enquanto grande intelectual. Um pouco antes, em 1958, publicou Conceito de Verdade, que se tratava do discurso que pronunciou no Salão Nobre do Colégio Nóbrega em dezembro de 1957, na condição de orador da turma de concluintes do Curso Clássico. No mesmo ano, publicou A Escola e Limoeiro e em 1960 lançou as crônicas de viagem Americanas.
Em 1961, Marcos Vilaça publicou um dos seus trabalhos literários de maior sucesso: Em torno da Sociologia do Caminhão, que recebeu o prêmio Joaquim Nabuco da Academia Pernambucana de Letras.
Administração pública
Em 1966 tornou-se chefe da Casa Civil do estado de Pernambuco, no governo de Paulo Guerra e no início da década de 1970 foi responsável por algumas secretarias na gestão de Eraldo Gueiros Leite. Foi membro ao longo desse tempo da Aliança Renovadora Nacional (Arena), da qual chegou a ser seu 1º secretário. Posteriormente, tornou-se membro do Partido Democrático Social (PDS), assim como foi membro fundador do Partido da Frente Liberal (PFL).
Na década de 1980 exerceu a presidência da Legião Brasileira de Assistência, e foi nomeado pelo então Presidente da República José Sarney, Secretário Particular para Assuntos Especiais.
Em 1988 entrou para o Tribunal de Contas da União (TCU), sendo indicado pelo então Presidente da República José Sarney em substituição ao Ministro Thales Ramalho.
Durante a sua gestão, trabalhou pela ampliação das relações internacionais do TCU, o que refletiu em vários acordos de cooperação técnica, científica e cultural que repercutiram no aumento da inserção do Brasil nos debates internacionais sobre auditoria.
29/03/2025