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ABL na mídia - Tribuna do Norte - Silêncio é omissão

 

As esperanças nem sempre caem no vale comum das coisas perdidas, mesmo no estranho reinado do que parece ungido para sempre. Até na alegoria da imortalidade a vida não dispensa a luta digna e justa. Foi assim que li o editorial da ‘Revista Brasileira’, porta-voz da Academia Brasileira de Letras, na sua edição do último trimestre do ano que passou, assinado pela escritora e imortal Rosiska Darcy de Oliveira, e titulado com uma só palavra que basta repetir: “Soberania”.

Como se não bastasse para ferir a carne do silêncio de triste omissão de todas as outras instituições culturais, o tema está brilhantemente sustentado por três artigos de Rubens Ricupero, Joaquim Falcão e Oscar Vilhena Vieira. Um conjunto sereno e desassombrado de afirmações em defesa da soberania brasileira e do papel da cultura no fortalecimento da cidadania, mesmo diante do silêncio. Ela escreve como um raio de sol: “Precisamos da cultura para nos dizer quem somos”.

Logo nos primeiros parágrafos do forte editorial Rosiska adverte, cumprindo o destino de romper a mudez omissa: “Tempo de autoritarismo contagioso, se espalhando como uma peste já conhecida e que tanto mal já fez, e tantos mortos, minando as democracias como um cupim invisível, mas operoso”. E logo a seguir: “Esperamos do Ano Novo que nos traga a certeza e um chão e um teto nosso, nossa pátria, nosso território, nossos deuses, língua, nossa gente. Soberania”.

E cobra como cumprir o dever de romper os silêncios das conveniências e do medo: “Nossa soberania é mais do que o exercício do poder sobre um território físico, é viver em um território amoroso, um pertencer sofrido que nos faz querer bem ao nosso País, apesar de todos os seus pesares. Precisamos da beleza, de uma beleza que ninguém é melhor que nós para sentir o quanto é bela”. E logo depois: “É a memória coletiva guardada em algum lugar secreto da nossa história”.

O embaixador Rubens Ricupero lembra a longa ameaça sofrida pela Soberania brasileira com o Golpe Militar de 64. O jurista Joaquim Falcão é contundente na avaliação do poder público nas esferas municipal, estadual e federal: “O governo federal está confuso e paralisado. E os governos estaduais e municipais sem rumo”. Mais: “Disputam a ineficiência mútua”. E conclama: “A defesa do território consiste em três momentos: individual, o organizacional e o institucional”.

O professor Oscar Vilhena, catedrático de Direito da Fundação Getúlio Vargas, denuncia as perigosas desigualdades sociais que a cada dia se aprofundam no Brasil, destruindo os laços de reciprocidade garantidores de uma Nação justa. Enquanto isto, no beiço da ribeira do Potengi, amado e sujo, nossas instituições negam o grito, esquecem os mortos, elogiam os vivos, festejam as suas vaidades e nem notam como é triste o medo escondido nas vestes solenes cheias de silêncio.

PALCO

EFEITO – Os abusos cometidos pelo Congresso – Câmara e Senado – suas mordomias, privilégios e que tais, logo inspiraram o novo slogan do marketing do governo de Lula: “Do Lado do Povo”.

AULA – Continua grande a lagoa que isola um lado inteiro do acesso ao Centro de Convivência da UFRN. Um bom exemplo prático de como não se deve projetar uma drenagem pluvial eficiente.

LUTA – Uma emenda do deputado José Dias, no valor de R$ 120 mil, vai garantir a instalação da Biblioteca de Américo da Oliveira Costa na sede da Academia Norte-Rio-Grande de Letras.

COMO – A conquista contou com Isaura Rosado, da Academia, e o apoio de Onofre Neto, membro do Conselho Estadual de Cultura. O desafio, agora, é abrir para as consultas até o final deste ano.

ENREDO – Lula é o tema da Escola de Samba Acadêmicos de Niterói, segundo a matéria de capa da revista ‘Veja’. Janja seu grande destaque. Segundo os dois autores, é “um enredo desafinado”.

HUMOR – Reflexão do Monge do Totoró, no seu retiro, vendo que o pecado vai tomar conta do mundo nos dias profanos do carnaval: “As carnes se agitam nas ruas com as pepekas em chamas”.

POESIA – De Marcos Antônio Campos, em ‘Nanquim’, edição Caravela, 2025, esses versos que além de poesia são um grave aviso: “Às vezes / sou triste. / Com o dedo em riste / sou pior / ainda”.

CIRCO – De Nino, o filósofo melancólico do Beco a Lama, lendo as folhas, enquanto molha a garganta com uma cachaça velha: “Não se sabe quem é palhaço e quem é mágico nesse picadeiro”.

CAMARIM

PERIGO – Do Lobo Guará, direto do Senadinho, com seus olhos de Lince: “O secretário Carlos Eduardo Xavier, Cadu, foi de uma sinceridade que não se usa em política, quando reconheceu que entregar o governo à oposição pode ser fatal. Até para a reeleição de Fátima Bezerra ao Senado.

EFEITO – Nesse sentido, o Lobo Guará chega a arriscar: ‘Na hipótese de não ter no governo um nome aliado, a governadora Fátima Bezerra só tem uma decisão: ficar no governo”. E completou: “Sob pena de comprometer, na luta, o desempenho não só dela, mas de todos os candidatos do PT.

ALIÁS – Na especulação do Lobo Guará, o nome que o PT hoje mais teme, no governo, é o do ex-deputado Fábio Dantas. Coerente nas críticas ao desempenho petista no governo e conhecedor dos números da realidade financeira que até hoje não teve um retrato com a clareza da realidade.

Matéria na íntegra: https://tribunadonorte.com.br/colunas/cena-urbana-vicente-serejo/silencio-e-omissao/

12/02/2026