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Professora Leyla Perrone-Moisés faz na ABL a segunda palestra do ciclo “Realismo em questão”, sob coordenação do Acadêmico e poeta Geraldo Carneiro

A Academia Brasileira de Letras deu prosseguimento ao seu Ciclo de Conferências do mês de agosto de 2017, intitulado Realismo em questão, com palestra da professora Leyla Perrone-Moisés. A coordenação foi do Acadêmico e poeta Geraldo Carneiro.

Foram fornecidos certificados de frequência.

A Acadêmica e escritora Ana Maria Machado, Primeira-Secretária da ABL, é a Coordenadora-Geral dos ciclos de conferências de 2017.

Segundo a conferencista, o termo “realismo”, na literatura, é dos mais imprecisos: “Derivado do conceito de mimese em Aristóteles, geralmente se considera realista a imitação artística de seres e de ambientes existentes no mundo real. O atributo “realista” resulta sempre de uma convenção entre o produtor e o receptor da representação. O primeiro acordo dessa convenção é de que ela não implica o conceito de verdade, mas apenas de imitação verossímil”.

De acordo com Leyla Perrone-Moisés, “a questão da verossimilhança na literatura é ainda mais complexa do que no âmbito das artes plásticas, pelo fato de que a linguagem verbal não é um sistema representativo analógico, mas um sistema arbitrário e convencional, substitutivo e alusivo”.

“O objeto evocado pela linguagem – afirmou a palestrante – é apenas seu referente, o qual está ausente do enunciado até mesmo como representação isomórfica, na medida em que as palavras não apelam diretamente aos nossos sentidos físicos, mas ao nosso entendimento. Se a evocação do referente já é mediada na linguagem corrente, ela é ainda mais problemática na linguagem literária, pelo fato de esta utilizar a linguagem verbal com objetivos mais amplos do que a simples comunicação entre os falantes”.

“Apesar das tentativas de renovação da linguagem romanesca pelos grandes escritores da modernidade, o que se vê, em grande parte da literatura atual, é a persistência dos conceitos e das técnicas realistas e naturalistas do século XIX. Reconhecer como realista apenas as convenções fixadas historicamente no fim do século XIX é uma regressão com respeito às renovações literárias da alta modernidade artística de seres e de ambientes existentes no mundo real”, garantiu a conferencista.

Realismo em questão terá mais três palestras, às terças-feiras, no mesmo local e horário, com os seguintes dias, conferencistas e temas, respectivamente: dia 15, Beatriz Resende, A literatura contemporânea e um realismo rasurado; 22, Márcio Tavares D’Amaral, O sofrimento do real nos tempos de pós-verdade; e 29, Cristovão Tezza, Literatura e autorrepresentação.

Saiba mais

Professora Emérita da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, Leyla Perrone-Moisés lecionou literatura francesa na PUC-SP (1967-1972) e na USP (1970-1988). Também ministrou cursos de teoria literária, de literatura francesa, portuguesa e brasileira em diversas universidades estrangeiras: Université de Montréal, Yale University, Université de la Sorbonne (Paris III) e École Pratique des Hautes Études. Coordenou o Núcleo de Pesquisa Brasil-França, do Instituto de Estudos Avançados da USP de 1988 a 2010.

Publicou, entre outros, os seguintes livros: O novo romance francês (1966); Falência da crítica. Um caso limite: Lautréamont (1973); Texto, crítica, escritura (1978-2005); Fernando Pessoa. Aquém do eu, além do outro (1982-2001); Flores da escrivaninha (1990); Altas literaturas (1998); Vira e mexe, nacionalismo (2007); Com Roland Barthes (2013); Pessoa, le sujet éclaté (2013); Mutações da literatura no século XXI (2016). Em 2013, recebeu o Prêmio de Crítica Literária da Fundação Bunge pelo conjunto da obra.

02/08/2017

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