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Presidente do grupo Globo, João Roberto Marinho, doa originais de Drummond à ABL

 

O presidente do grupo Globo, João Roberto Marinho, doou à Academia Brasileira de Letras originais de crônicas e poemas de Carlos Drummond de Andrade escritas para o Jornal do Brasil. A cerimônia de doação foi na última terça-feira , na Sala dos Presidentes, com a presença dos Acadêmicos Arnaldo Niskier, Joaquim Falcão, Arno Wehling, Paulo Niemeyer Filho, Rosiska Darcy, AntonioTorres, Godofredo de Oliveira Neto, Domicio Proença Filho e Evanildo Bechara, além do presidente Merval Pereira, que lembrou da preciosidade do material que a ABL estava recebendo. Após a cerimônia, João Roberto Marinho tomou um chá com os Acadêmicos.

“São originais entre 1974 e 1977, assinados por ele e com várias correções a mão. É uma coisa preciosa, que o nosso Godofredo de Oliveira Neto, diretor do Acervo e Arno Wehling, diretor de Bibliotecas, já viram e estão encantados.” João Roberto Marinho afirmou que a doação foi construída a várias mãos, já que adquiriu os trabalhos de Carlos Drummond de Andrade de um amigo, e resolveu doa-los à ABL. “Pensei o que meu pai faria com um material precioso como este, e era obvio que, com o amor que tinha à Academia, ele os entregaria aqui. Tenho muito prazer em fazer esta doação para a Academia disse. O Acadêmico Arnaldo Niskier agradeceu em nome da ABL “o gesto de carinho pela entrega. Fica óbvio que ele, Drummond, trabalhou nos originais,pois as emendas foram feitas de próprio punho, valorizando ainda mais a doação.”

Niskier lembrou Roberto Marinho, que esteve na ABl por cerca de 10 anos. “Sempre solícito, sempre simpático,deixou fortes lembranças no seio da imortalidade.” Segundo ele, a doação para o acervo da ABL é um gesto que trouxe grande alegria e representa um enriquecimento inestimável, pois são textos do chamado poeta da terra,considerado por muitos o mais influente poeta brasileiro do século XX. Ele fez um histórico da vida de Drummond, lembrando que o poeta era mineiro, mas transferiu-se para o Rio onde fez solidas amizades, e aqui exerceu atividades culturais. “Sempre de modo brilhante, assinou poemas e crônicas em periódicos de grande revelo, como Correio da Manhã, Jornal do Brasil e O Globo, além de diversas revistas.

Certa vez, perguntado se gostava de poesia, o autor,nascido em Itabirito, foi além. Disse que gostava de gente, bichos, plantas, lugares chocolate, papos amenos, amizade, amor, e achava que a poesia estava contida naquilo tudo. Como se pode perceber, tudo muito humano, Drummond rima com bom, é o que ele era, um homem bom. Seu valor literário pode ser anotado nos seus trabalhos por anos por seus leitores, o autor que valorizou, focando no cotidiano, o que o ser humano tem de melhor e mais significativo. Como os modernistas, segue a libertação proposta por Mario de Andrade e Oswald de Andrade, com a instituição do verso livre, mostrando que este não depende de um metro fixo. Se dividirmos o modernismo numa corrente mais lírica e objetiva e outra mais pbjtova e concreta, Drummond faria parte da segunda, ao lado do próprio Oswald de Andrade. Quando se diz que Drummond foi o primeiro poeta a se afirmar depois das estreias modernistas, não se está querendo dizer que seja um modernista. De fato, herda a liberdade linguística, o verso livre, o metro livre, as temáticas cotidianas. Através da sua poesia, foi eternizado, conquistando a atenção e a admiração dos leitores contemporâneos. Seus poemas centram em questões que se mantêm atuais: a rotina das grandes cidades, a solidão, a memória, a vida em sociedade e as relações humanas.

Entre suas composições mais famosas, destacam-se também aquelas que expressam reflexões existenciais profundas, onde o sujeito expõe e questiona seu modo de viver, seu passado e seu propósito. Não quis pertencer aos quadros da Academia, como merecia, mas foi muito lembrado ao lado de imortais como Euclides da Cunha, Coelho Neto, Origenes Lessa, Rachel de Queiroz, minha inesquecível madrinha, e Manuel Bandeira entre outros, quando a ABL realizou, com a Fundação Antares, a maratona escolar, que serviu de pretexto para exercitar a criatividade dos nossos jovens estudantes. Para muitos, ele é o dono eterno da nossa hipotética cadeira número 41. A trajetória pessoal e literária de Carlos Drummond de Andrade – 1902 – 1987 – merece ser muito iluminada.

Um dos maiores nomes da poesia brasileira de todos os tempos, Drummond levou uma existência modesta e avessa aos holofotes, enquanto burilava uma obra vasta e rigorosa. Vivendo no Rio entre 34 e 87, o poeta mineiro atravessou boa parte do século XX produzindo poesia, crônica para os jornais e marcando sobretudo com sua obra todas as gerações posteriores da literatura produzida no Brasil. Finalizando, Arnaldo Niskier lembrou que Roberto Marinho sempre teve ideias generosas de relação de sua empresa com a casa de Machado de Assis. “Sou testemunha disso. Somos gratos com esse gesto de hoje, que nos aproxima mais ainda.” 

11/11/2023

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João Roberto Marinho doa originais de Drummond à ABL