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O livro e o escritor, mais perto do público

 

Moacyr Scliar inicia no Rio o ciclo Leitura em Ação, da Ação da Cidadania, que promoverá encontros nos próximos seis meses

Por Roberta Pennafort
RIO

Para princípio de conversa, Moacyr Scliar convoca: "Se quiserem se aproximar, podem vir, porque este escritor não morde." O chamado é para o grupo de cerca de 50 pessoas que foi ao Centro Cultural Ação da Cidadania, no Rio, na noite de quinta-feira (17), para conhecê-lo e ouvi-lo falar sobre sua vida e seus livros. Era a abertura da série Leitura em Ação, criada pela Ação da Cidadania com os objetivos de divulgar a literatura brasileira e de aproximar leitores de autores e de livros.

Na platéia de Scliar, rostos de pessoas simples, gente que lê, gente que não lê, gente que tem dificuldade para ler. Foram convocadas lideranças dos comitês do Rio (são 800 no Estado) - para os próximos encontros, a divulgação será maior, e, espera-se, o público também. "A Ação da Cidadania vem se voltando para a educação e a leitura. A maior parte dos coordenadores vem das camadas pobres; entre eles, há analfabetos funcionais", explica Maria José Andrade, coordenadora-executiva do movimento.

A líder comunitária Gracinda Bueno, de 49 anos, da favela Vila Parque da Cidade, na zona sul do Rio, estudou "até quase concluir o segundo grau", e, quando tem tempo, busca livros na biblioteca da comunidade, montada com doações. "Gosto de Sidney Sheldon e Agatha Christie. Nunca tinha ouvido falar do Moacyr Scliar. Gostei dele, porque ele fala de uma forma simples e direta. Tem escritor que complica e a gente não consegue entender direito."

Ela e os demais se identificaram com as histórias contadas por Scliar: sobre seu pai, imigrante russo que chegou a Porto Alegre menino e faminto; sua mãe, que lhe apresentou o mundo das letras; seu filho, tema recorrente em suas crônicas no jornal "Zero Hora". Além de contar causos, leu duas delas - incluídas em seu lançamento de 2007, "O Texto, ou: A Vida - Uma Trajetória Literária" - e autografou livros sorteados na hora.

"Estou muito animado por estar aqui. Não é todo escritor que gosta de encontrar o público. Mas, num país como o Brasil, o escritor tem de motivar a população", disse Scliar, membro da Academia Brasileira de Letras. "Sou muito convidado e faço o possível para aceitar qualquer convite. Não importa se é uma feira internacional de livros ou uma cidadezinha no interior do Rio Grande do Sul."

A intenção da curadora do Leitura em Ação, a escritora Suzana Vargas, é promover dois encontros por mês, durante seis meses.

Os próximos nomes são Ferreira Gullar e Ziraldo. Também já estão confirmados Martinho da Vila, Elisa Lucinda, Bráulio Tavares e Flávio Carneiro. "É importante fazer a leitura de um trecho do livro, com o escritor. É muito diferente da contação de história. É como um doce: se você come um pedacinho, dá vontade de provar o doce inteiro", acredita Suzana.

Gracinda, aquela que não conhecia a literatura de Scliar, torceu, torceu, mas não ganhou livro nenhum no sorteio. Mas anotou em seu caderninho a indicação de outra espectadora, que elogiou "A Mulher Que Escreveu a Bíblia". Quem sabe, um dia.

O Estado de S. Paulo (SP) 19/1/2008

20/01/2008 - Atualizada em 20/01/2008