Número é igual menor. Não deve viajar desacompanhando, mas quando tiver que viajar assim precisa de uma plaquinha avisando que está sem companhia, ou seja, análise do contexto. Os gastos administrativos em 2025 foram os maiores em nove anos, R$ 72,7 bilhões em 2025, segundo dados da Secretaria do Tesouro Nacional. Este tipo de gasto inclui despesas com água, energia elétrica, telefone, serviços de limpeza e vigilância, apoio administrativo, combustível para deslocamentos, tecnologia da informação e toda a infraestrutura necessária para o funcionamento do governo. Isso é um gasto alto, mas quando foi mais baixo?
O menor valor da série, por exemplo, ocorreu em 2021, em meio à pandemia, quando a maioria dos servidores trabalhava em regime remoto. Era natural que contas de luz, água e telefone caíssem, com menos pessoas utilizando as dependências públicas. E mais, muitos funcionários foram impedidos de fazer o seu trabalho.
Se uma equipe de fiscalização do Ibama não tem combustível para trabalhar, por exemplo, o órgão fica impedido de cumprir sua missão. Reportagem de Lucas Altino, publicada nesta terça-feira em O GLOBO, mostra que o governo conseguiu retirar o garimpo da Terra Yanomami, mas ainda enfrenta o surto de malária, o que exigirá novos esforços e recursos. A população que sofria ataques de garimpeiros e o meio ambiente devastado durante o governo de Jair Bolsonaro passaram a ser enfrentados pela atual gestão, o que também implicou aumento de gastos — inclusive administrativos.
Durante a produção do livro Amazônia na Encruzilhada, ouvi de servidores da área ambiental, ainda no governo Bolsonaro, que muitas vezes era preciso atuar quase de forma clandestina para que o Estado cumprisse seu papel de proteger o meio ambiente e os povos indígenas.
Na outra ponta, o maior custo apontado pelo Tesouro havia sido em 2016. Naquele ano ocorreu o impeachment presidencial, período em que duas estruturas administrativas chegaram a funcionar simultaneamente: os indicados que acompanhariam o governo Michel Temer já estavam chegando, enquanto muitos cargos comissionados do governo Dilma Rousseff ainda não haviam sido desligados, durante a fase em que Temer era interino.
Quando esse custo cresce, acaba comprimindo as despesas discricionárias — e isso é um problema. Ao observar a evolução do gasto administrativo, no entanto, é preciso analisar o contexto de cada período. Mas a máquina que não funciona — ainda que pareça “mais barata” — pode sair muito mais cara quando se considera o não cumprimento da missão do Estado.
O ponto central é: a virtude não é não ter gasto administrativo, mas ter o gasto eficiente e controlado, com foco em economia de despesas, mas também no melhor desempenho das missões do Estado.
O crescimento dos gastos administrativos, assim como das despesas obrigatórias, reduz a capacidade de investimento do governo. E, sem investir, o Estado se apequena. O debate sobre gasto público é complexo porque, no fim das contas, somos nós que pagamos a conta — o que exige vigilância constante e análise cuidadosa de cada número.