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O petismo não sai da rua

 

Só cresce, nas últimas semanas, o protesto contra o governo interino. 

Soma-se, nas ruas ao “povo na praça”, a sua crescente organização. Espalharam-se agora, em 24 capitais, sincronicamente, as manifestações contra Temer, Esse protesto distingue-se de toda agitação pró-impeachment, como a de movimentos como o Vem pra Rua. Já desponta nesses, o cansaço de todo simples espontaneísmo de um rompante popular, ao contrário daquele protesto, que pode ainda aumentar na eventualidade de uma prisão de Lula. 

O presente momento político entra, por outro lado, em inédito suspense, diante das decisões do procurador-geral, Rodrigo Janot, de processar novos suspeitos da tava Jato, ao denunciar uma verdadeira socialização da propina envolvendo tanto o PT quanto a oposição. Em tempo, o magistrado se eximiu de ser o "justiceiro", como tende a vê-lo a opinião pública. 

Ao mesmo tempo, em novo risco às instituições, cresce a rebeldia dos aliados de Eduardo Cunha frente às decisões do Judiciário, para além de sua destituição da Presidência da Câmara, no confronto entre o licenciamento compulsório do mandato - e sua definitiva cassação - e a impossibilidade, até, de nova candidatura nos próximos dez anos. 

Também só exacerbam o enfrentamento as reduções das regalias impostas pelo presidente interino ao desempenho de Dilma, confinada no Palácio Arvorada. Por sua vez, a presidente afastada só tem recrudescido no ataque frontal a Temer, especialmente nas áreas cativas do petismo, como o Norte e o Nordeste. A busca de uma normalização, vira-se para a adoção de um plebiscito a fim de decidir da convocação de eleições gerais, mas estas, no presente andar dos movimentos sociais, manifestarão um resultado antecipado. E, já, também, com a recusa de uma nova candidatura Dilma, Lula sabe ao que vai.

Diário da Manhã (GO), 17/06/2016