O Clube da Esquina chega à Academia Mineira de Letras com seu poeta Márcio Borges, criador de obra que conta a saga dos músicos mineiros, seu mano Lô Borges, com a levada de músicos do universo de Beto Guedes, Bituca, Fernando Brant, em uma constelação de gente que canta e dança para suspender o céu, com anúncio de "vento solar e estrelas do mar, um girassol da cor de seu cabelo", uma boa chegada para alegrar a vida e semear poesia. Saudações krenakianas, querido Márcio Borges.
O físico Marcelo Gleiser alerta para o risco de extinção das abelhas como um dos sinais da perda de qualidade do clima global ou mesmo da ruptura dos processos naturais de produção da vida, como até hoje somos grandemente beneficiados. Conclui afirmando que, sem as abelhas, estamos ferrados.
Tenho observado, em várias situações públicas, a pacífica desistência de uma geração inteira quanto a reivindicar o seu tempo —é o que fazem ao aceitar tanta erosão da vida ao seu redor. Como convoca o neurocientista Sidarta Ribeiro, precisamos resgatar a humanidade dos humanos antes que avancemos para uma era de ciborgues sem qualquer humanidade e muito mais inteligentes.
Aqueles que apreciam mapas já sabem, há muito tempo, que o gelo impera no Ártico, sem dúvida. Tive a alegria de conhecer pessoas que vivem no gelo daquela região, onde os interesses da Rússia e dos Estados Unidos se bicam até o limite da intimidade. O povo inuíte já passou por muitos invernos antes de aparecer o primeiro homem branco por lá; sabem viver no "inferno branco", que afasta predadores e curiosos, feitos os totens que postam bem à entrada das suas vilas.
Quem já leu "Caninos Brancos", do aventureiro Jack London, sabe que é uma fria atravessar as grandes planícies. Nesse inverno ártico, os habitantes da região chamada Groenlândia, mesmo com tudo gelado, saíram em marcha para expressar a sua revolta contra a insistente ameaça do presidente americano Donald Trump em comprar ou tomar à força o que chamou de pedaço de gelo.
Insultos à parte, tudo isso nos faz pensar nas abelhas, pequenas, mas indispensáveis à reprodução da vida no planeta Terra, assim como a diversidade de povos e culturas humanas faz das nossas vidas algo muito mais interessante que o jogo de futebol americano, que, sob as ordens do atual chefe da Casa Branca, passará a ser jogado com a cabeça dos seus adversários. Sempre lembrando que, sem as abelhas, estamos ferrados.