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A expectativa partidária para 2018

O impacto da Lava Jato, envolvendo a prisão de múltiplos líderes partidários, levou, em toda tentativa de reorganização, ao estilhaço das siglas, ou às imitações estritas de legendas externas. Aí está o Podemos, a encarar uma possível “terceira via” de mobilização da política. Deparamos, ao mesmo tempo, a defesa dos minipartidos, no suposto de que a verdadeira diferença programática depende de minorias afinadas com o novo horizonte político. Aí está, por outro lado, a multiplicidade de possíveis aliciamentos no centro, vinda das migrações e conflitos oriundos de inevitáveis rusgas de um situacionismo enraizado no sistema. 

Só se reconhece, por outro lado, a permanência do PT, no contraste à esquerda, na decomposição do PSB, atingido crucialmente pela morte de Eduardo Campos. A divisão do PMDB ganhou uma trégua no acordo Aécio-Jereissati, na ruptura inevitável nas opções para 2018. 

Todo alinhamento, mesmo para um futuro imediato, vai confrontar, ainda, as primícias das esquerdas, frente à iniciativa de Temer, levando à privatização das estatais e à entrada da Eletrobrás no mercado, inclusive internacional. O crescimento das direitas, por sua vez, vai à iniciativa de Bolsonaro, claramente desligado de um quadro partidário, e a desembocar, de imediato, no moralismo e na prestação de contas da corrupção. 

Delineiam-se o desponte, sôfrego, de Rodrigo Maia, na relevância que ele deu ao suporte a Temer, e a aparição de uma alternativa de revigoramento das lideranças do Congresso, na chegada à Presidência da República. Por força, todo um novo horizonte vai depender das condições do fundo de financiamento partidário e da forma pela qual se chegará ao “distritão”, ou às suas variantes ora discutidas. As demoras ou os atrasos no entrave dos vaivens da cassação de Temer emergem ainda com um indiscutível ganho de poder na reconstrução do PSD, na possível coleta dos dissidentes espalhados pelos confrontos da Lava Jato e no imediato aliancismo com o Planalto.

O Imparcial (MA), 03/09/2017