Realizado no último fim de semana, em Niterói, o Encontro com Arariboia reuniu representantes de diversos povos indígenas em uma programação que combinou debates, apresentações culturais e um julgamento simbólico histórico.
O destaque foi a sessão “Veredito Ancestral”, que lotou o salão nobre da UFF e teve como protagonistas lideranças como Ailton Krenak, Yakuy Tupinambá e Marcos Terena.
Com atividades realizadas na Faculdade de Direito da UFF, no Ingá, na sexta-feira (20) e no Centro Eco Cultural Sueli Pontes, em Piratininga, no sábado (21), o evento reuniu lideranças, pesquisadores, artistas e ativistas engajados na valorização da história e do protagonismo dos povos originários, com uma ampla programação, incluindo seminários, mesas de debate, apresentações culturais e uma feira temática.
Julgamento simbólico
O ponto alto da programação aconteceu na sexta-feira, com o “Veredito Ancestral”, uma encenação em formato de tribunal que tomou conta do salão nobre da UFF e atraiu grande público, com lotação máxima e fila de espera.
A atividade propôs revisitar episódios da colonização da Baía de Guanabara, especialmente a batalha de Uruçumirim, no século XVI, que envolveu portugueses, franceses e diferentes povos indígenas.
O julgamento simbólico foi conduzido por um Conselho de Sentença formado por importantes lideranças indígenas, entre elas Ailton Krenak, Marcos Terena e Yakuy Tupinambá, além de nomes como Jurema Nunes, Carolina Potiguara, Daiara Tukano, Denilson Baniwa, Karkaju Pataxó, Martinha Guajajara, Renata Tupinambá, Seu Chico e Wescritor.
Mais do que uma performance, a encenação se consolidou como um espaço de reconstrução histórica, colocando os povos indígenas no centro da narrativa e propondo uma releitura crítica de acontecimentos tradicionalmente contados sob a ótica colonial.
Programação no fim de semana
No sábado, a programação seguiu no Centro Eco Cultural Sueli Pontes com mesa de debates sobre a formação de Niterói, reunindo pesquisadores como Rafael Freitas da Silva, José Ribamar Bessa Freire e Marize Guarani.
O dia também contou com homenagem ao antropólogo Roberto DaMatta, almoço comunitário, apresentação do Coral Guarani de Maricá e rodas de conversa sobre participação social e curadoria compartilhada, com presença de artistas e lideranças indígenas.
O encerramento foi marcado por uma celebração ao pôr do sol com apresentação musical de Wescritor.
Matéria na íntegra: https://aseguirniteroi.com.br/noticias/encontro-com-arariboia-propoe-revisao-da-historia-do-brasil-pelo-olhar-do-indigena/
25/03/2026