Portuguese English French German Italian Russian Spanish
Início > Artigos

Artigos

  • Fome de verdade

    Há uma cegueira que se tornou, praticamente, coletiva, bem maior do que a ensaiada por José Saramago, no seu conhecido livro, seja na política em que desapareceu a verdadeira oposição, fundamental no jogo democrático, ou nos deixa sem possibilidade de opção, seja nas artes que se fechou em cerebral experimentalismo, seja na literatura, onde se extravia, lentamente, a consciência cultural.

  • Os ditos institutos de pesquisa

    As recentes eleições mostraram mais uma vez ao povo brasileiro que os institutos de pesquisa devem ser abolidos, já que se tornaram, por vários exemplos, prejudiciais, não só influenciando os eleitores, como apresentando dados falhos, além de serem manipuladores da opinião pública, podendo ser instrumentos perniciosos do poder, conforme os seus interesses.

  • Nós e os marcianos

    Luiz Fernando Verissimo, mestre da crônica, escreveu no O Globo (05/08/2010) que se um marciano viesse, várias vezes, ao País e observasse em cada vinda os políticos no poder e seu índice de aprovação, ficaria tão perplexo que suspiraria fundo e talvez desistisse do Brasil.Penso que, se fosse um marciano mais esperto e não tão ingênuo, em face da gangorra de interesses, era bem capaz de não apenas ficar no Brasil como entraria na política.  Porque encontraria uma feliz oportunidade de ser reconhecido, entre os seus aplaudidos líderes, já que não deve ter traços alienígenos, ou porque a maioria dos nossos políticos já parecem os trazer como marca registrada, desde o berço e são indistinguíveis.

  • O passaporte diplomático

    Incríveis são as incongruências do poder. De um lado tende a aumentar o valor da Bolsa Família, para os que não trabalham, com o dinheiro da nação, poderosa e decisiva ferramenta eleitoral, usada astutamente pelo governo Lula. E de outro lado, o salário mínimo para os que trabalham, um dos mais ínfimos e vergonhosos da América Latina, gera tanta controvérsia, numa luta campal por vinte reais de diferença. E quando leio que a nova governante deseja, com razão, combater a fome , não sei se há de ser a dos que trabalham ou a dos que não trabalham. Porque a vantagem de uns em relação aos outros, leva até a não haver nenhum interesse em trabalhar. Porque a nação sustenta. E o governo é muito generoso com o bolso coletivo, onde o imposto é carga insuportável.

  • A catástrofe anunciada

    A notícia que se tem, depois da tragédia, a maior na história carioca, com desolação e a morte de ricos e pobres, com mais de 500 vítimas, além da perda de casa e automóveis - em Petrópolis, Teresópilis e Nova Friburgo - é  que o governo do Estado do Rio sabia, desde 2008, dos riscos na região da catástrofe.

  • Escuridão pessoal

    "Glauber Rocha jamais venceu a escuridão pessoal" - escreveu Heitor Cony, em Eu,aos pedaços. Não seria essa escuridão para alguns, a marca de genialidade, como a luz é para os outros, bem poucos? Lembrei-me do amigo Iberê Camargo. Várias vezes quando viajava ao Rio, ia visitá-lo no ateliê, assistindo ao espetáculo quase pirotécnico de sua criação, como se a tinta fosse sangue e o sangue, pintura. Mas a escuridão no seu processo inventivo tinha janelas de fogo ou janelas de céu roído de azul, junto à espessa escuridade.

  • Big Brother Brasil

    Não se concebe como Pedro Bial, que escreveu a biografia do Acadêmico e jornalista Roberto Marinho e tinha um programa valioso sobre livros e fez filme sobre contos  de Guimarães Rosa, se meteu a dirigir, por força do dinheiro, este zoológico humano, que é o Big Brother Brasil, levando para a intimidade dos lares, as mazelas, as taras, as safadezas, idiotias, carências e mesquinharias, penúrias morais e amorais, com clichês e figuras que ativam apenas o pior lado da banalização do sexo e da depravação social. E tal empresa de vergonha televisiva atinge a 11ª edição, abusando de nossa privacidade e inteligência.

  • O silêncio da República

    Paira um grande silêncio na República - não sei se é de ouro - depois da saída do governo Lula. Cessou o rumor, quase diário, das entrevistas na tevê, cessou a  opulência retórica e demagógica das reportagens,e sabiamente a nova presidente se calou. Postulando com decente justeza a competência * não o compadrio - como fundamento dos cargos de segundo escalão. Trabalha em silêncio, como Minas,seu Estado natal. Defronta-se o Brasil com a maior inflação da América Latina, havendo  com a soma dos fatores como: indexação, taxa elevada e estímulos fiscais a dificuldade  de estabilização dos preços, depois de 17 anos de estabilidade econômica. O que nos faz vislumbrar penosos meses.

  • Um pé de amoreira

    As fábulas podem ou não nos trazer lições.Mas, como nos adverte Jorge Luís Borges, bastam as fábulas, por nos levarem as lições de um inadequado moralismo.Pois a fábula já é a lição. Como não há que falar na ponte, se estamos no rio.

  • Sobre as dez razões de um cronista

    Numa primorosa crônica, Luiz Fernando Veríssimo apresentou dez razões para aceitar de conhecido empresário um milhão de dólares. No meu caso, ouso apresentar dez razões para a rejeição dessa oferta:

  • Da minha dita intimidade com o poder

    Outro dia, o grande jornalista e meu amigo, Ancelmo Góis, em sua notável coluna, assegurou que a  minha História da Literatura Brasileira foi levada  pelo dinâmico editor da Leya, de São Paulo, para o senador e  escritor José Sarney e esse levou em mãos um exemplar para Dilma Rousseff, o que me deixou contente. Não por ter intimidade com o poder - já que até agora não me foi conferida essa faculdade, e os que a tem,devem guardá-la eficazmente para si.Nem por ser velho amigo da presidenta (vou usar essa expressão em sua homenagem), já que é a primeira mulher, entre nós, a execer tal cargo e o conhecimento da língua não o veda), desde o Rio Grande do Sul, de onde vim e ela viveu longo tempo e ocupou cargo importante.Se minha intimidade é a convivência da mesma terra e se esse "conviver" nos proporciona o mesmo clima, a mesma paisagem, a mesma temperatura do coração, então sim. Pois a terra é sempre um dom, equilíbrio e nascença da alma. Mas a paixão por Guimarães Rosa que nos une, e a justeza do empenho em trazer de volta ao Brasil Abaporu de Tarsila do Amaral.

  • O caso Maria Bethânia

    Maria Bethânia é um grande nome de nossa música popular, não apenas pela voz, mas também pela sábia pronúncia das letras. E mais, pelo senso poético.

  • O Japão avança para a vida

    No instante em que o mundo se volta para a tragédia do Japão, com os terremotos, o tsunami, e, depois, a liberação da nuvem tóxica altamente radioativa; consequencia de avarias nas usinas atômicas trazendo o envenenamento da população, apareceu uma fotografia comovente na capa de alguns jornais, que diz muito do desespero. Uma japonesa chorando à terra em que enterrou sua mãe e que,num hausto, abrindo vereda na morte, ainda conseguiu estender a mão para fora.

  • A vitória acadêmica

    Quando abriu a vaga, por falecimento do amigo e conterrâneo, Vianna Moog, estava em Guarapari, na praça central, e li uma crônica de Josué Montello,com o título, se não me engano,"Um gigante sorridente", saída no Jornal do Brasil, e jamais pensava eu que a mão frutuosa de Deus estava me levando para ocupar exatamente aquela vaga.