Início > Artigos

Artigos

  • O grande momento da mídia

    Folha de São Paulo (RJ), em 13/03/2017

    Quando comecei a trabalhar na imprensa ("Jornal do Brasil", 1952), o assunto principal da mídia carioca era a construção do metrô, que só foi concretizada muitos e muitos anos depois. Correndo por fora, em matéria de importância jornalística, era saber onde estavam os ossos de Dana de Teffé, uma ex-bailarina tcheca. Era espiã comunista e foi morta pelo seu amante, o advogado Leopoldo Heitor, que embrulhou toda a justiça com o argumento de que não foram encontrados os ossos da assassinada.

  • O grande momento da mídia

    Folha de São Paulo (RJ), em 12/03/2017

    Quando comecei a trabalhar na imprensa ("Jornal do Brasil", 1952), o assunto principal da mídia carioca era a construção do metrô, que só foi concretizada muitos e muitos anos depois. Correndo por fora, em matéria de importância jornalística, era saber onde estavam os ossos de Dana de Teffé, uma ex-bailarina tcheca. Era espiã comunista e foi morta pelo seu amante, o advogado Leopoldo Heitor, que embrulhou toda a justiça com o argumento de que não foram encontrados os ossos da assassinada.

  • Se eu morrer amanhã

    Folha de São Paulo (RJ), em 05/03/2017

    Se eu morrer amanhã, não levarei saudade de Donald Trump. Também não levarei saudade da operação Lava Jato nem do mensalão. Não levarei saudade dos programas do Ratinho, do Chaves, do Big Brother em geral. Não levarei nenhuma saudade do governador Pezão e do porteiro do meu prédio.

  • Cena carioca

    Folha de São Paulo (RJ), em 26/02/2017

    Na rua Santo Amaro, o velho High Life engolia a multidão em sua goela iluminada pelas gambiarras. Fila de povo que se estendia até a Glória. Ficamos no fim. Mas Valdomiro era homem de expedientes. Bartolomeu já se divertia desde o momento em que comprara os ingressos, não tinha pressa, saboreava lentamente o Carnaval. Valdomiro não, queria entrar logo.

  • Tá tudo muito confuso

    Folha de São Paulo, em 24/02/2017

    Já lembrei, há tempos, o velhinho do Iseb, instituto criado pelo pessoal da esquerda, destinado a combater a Escola Superior de Guerra, que tramava o golpe de 1964, dirigido por Castello Branco e que resultou na deposição de João Goulart e nos 21 anos de ditadura militar. O velhinho ia a todas as reuniões onde os problemas da época (Vietnã, Cuba, reforma agrária, remessa de lucros etc.) eram resolvidos.

  • Tá tudo muito confuso

    Folha de S.Paulo (RJ), em 19/02/2017

    Já lembrei, há tempos, o velhinho do Iseb, instituto criado pelo pessoal da esquerda, destinado a combater a Escola Superior de Guerra, que tramava o golpe de 1964, dirigido por Castello Branco e que resultou na deposição de João Goulart e nos 21 anos de ditadura militar. O velhinho ia a todas as reuniões onde os problemas da época (Vietnã, Cuba, reforma agrária, remessa de lucros etc.) eram resolvidos.

  • Dois de cada espécie

    Folha de S.Paulo (RJ), em 12/02/2017

    "Qual a obrigação de um gato quando encontra um rato?" Em princípio, a frase poderia ser de Santo Agostinho, que gostava de coisas assim, mas com outro conteúdo, tornando-se um dos gênios da Antiguidade. Outro que poderia ter dito o mesmo seria o padre Antônio Vieira, o imperador de nossa língua, que tinha estilo igual, mas sempre com outro significado.

  • Mulheres e glória são conquistas problemáticas

    Folha de São Paulo (RJ), em 29/01/2017

    Passou metade da vida atrás de mulheres. A outra metade desperdiçou em outros ofícios, inclusive o de não fazer nada. Mesmo assim, respondendo a enquete de uma revista, declarou-se feliz e garantiu que seria mais feliz ainda porque havia muitas coisas que nunca deveriam ter sido feitas; e as mulheres, umas pelas outras, davam para o gasto.

  • Acidente ou crime

    Folha de São Paulo (RJ), em 22/01/2017

    De duas uma: a morte do ministro do STF Teori Zavascki foi crime ou fatalidade? Relator de um processo que configura o maior escândalo dos tempos atuais, ele era um alvo ostensivo para todos os possíveis mandantes que possam ter forjado um acidente aéreo que demorará um pouco para ser elucidado.

  • Donald Trump está na contramão da história

    Folha de São Paulo (RJ), em 15/01/2017

    Não sei se foi Hitchcock ou John Ford que aconselhou os jovens cineastas, ao fazerem seus filmes, que só teriam sucesso se colocassem na trama um vilão tamanho família para fazer contraponto aos mocinhos. Na recente eleição presidencial nos EUA, foi fácil criar esse vilão, desses que matam e esfolam a mãe para comê-la com batatas fritas.

  • Descobri que nada de comum havia entre meus dois nascimentos

    Folha de São Paulo (RJ), em 08/01/2017

    Nasci duas vezes. A primeira, como todo mundo. A segunda, na passagem dos 19 para os 20 anos, quando saí do seminário. Procurei encontrar um nexo entre os dois nascimentos, e, curiosamente, descobri que nada de comum havia entre eles. Exceto o medo, que foi bem maior no segundo. No primeiro, faltou-me lucidez para entender por conta própria as coisas —aceitava-as com uma curiosidade que só não era plácida porque não as entendia.

  • Covardia e medo

    Folha de S.Paulo (RJ), em 01/01/2017

    Em crônica da semana retrasada, lembrei que o ex-presidente Jânio Quadros chamou de "poltrão" o ano que então se acabava. Ele próprio não sabia que era também um poltrão, daí que renunciou sete meses depois de ter tomado posse na Presidência da República, dando o pontapé inicial à ditadura militar.

  • Hoje Brasil é o país da corrupção e da violência urbana

    Folha de São Paulo (RJ), em 01/01/2017

    Em crônica da semana retrasada, lembrei que o ex-presidente Jânio Quadros chamou de "poltrão" o ano que então se acabava. Ele próprio não sabia que era também um poltrão, daí que renunciou sete meses depois de ter tomado posse na Presidência da República, dando o pontapé inicial à ditadura militar.

  • Amar os outros como a si mesmo

    Folha de S.Paulo (RJ), em 25/12/2016

    Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), em seu "Diário Secreto", Humberto de Campos, o maior cronista da época, comenta um telegrama da agência de noticias Reuters, narrando a noite de Natal vivida por franceses e alemães. Como se sabe, aquela guerra foi basicamente uma guerra de trincheiras: os alemães de um lado e os franceses de outro. A terra de ninguém, entre os dois combatentes, era mais ou menos de 100 metros.

  • 2016 foi um ano poltrão

    Folha de S.Paulo (RJ), em 18/12/2016

    Não sei quando, mas, na passagem de um ano para outro, entrevistaram Jânio Quadros, que já havia renunciado à Presidência da República. Perguntaram-lhe o que ele achava dos 12 meses que estavam acabando. Ele respondeu: "Foi um ano poltrão".