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Artigos

  • Mentiras da ficção de verdade

    O Globo, em 07/01/2017

    Pediram-me que repetisse uma brincadeira que fiz aqui há dois anos, quando começava 2015: a escolha de parágrafos iniciais de livros de que gosto, para que o leitor passeie por eles como se estivesse a esmo numa livraria e, ao acaso, folheasse aqui e ali. Talvez seja atraído para um mergulho mais prolongado. Na ocasião, chamei isso de “Iscas de leitura”. Acho que o melhor seria remeter os interessados a uma livraria de verdade, não virtual, dessas que permitem ficar à toa escolhendo, à vontade. Mas alguns bairros ou cidades se ressentem de sua falta. E, neste momento brasileiro, reconheço a importância de ler literatura, uma ficção construída com arte, depois de um ano inteiro em que nem sempre foi fácil distinguir o real e o falso entre tanta coisa que lemos e ouvimos

  • Novo patamar

    O Globo, em 06/01/2017

    Em nenhum momento o presidente Michel Temer ou seus ministros referiram-se à carnificina ocorrida no presídio em Manaus como uma questão de segurança nacional, mas é assim que o governo enxerga a disputa de facções criminosas, que nacionalizaram suas ações em busca de mais espaço para o controle do tráfico de drogas na região. 
     

  • O STF e a crise

    O Globo, em 05/01/2017

    A decisão da Ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), de conceder uma liminar suspendendo bloqueio pela União de R$ 192 milhões dos cofres do Estado do Rio de Janeiro, referente a uma dívida com o Banco do Brasil, é exemplo palpitante de como decisões judiciais, embora bem-intencionadas, podem afetar a recuperação da economia do país, criando insegurança jurídica.

  • Questão nacional

    O Globo, em 04/01/2017

    O fato novo na luta contra o crime organizado é a nacionalização da atuação das grandes facções criminosas do Rio e São Paulo, que às vezes estão de conluio, outras se opondo entre si, com o apoio de facções regionais. A tragédia em Manaus colocou em realce ainda um novo patamar na ação dessas facções, que hoje disputam o mercado de drogas nas fronteiras com Paraguai e Bolívia.

  • O crânio de Helena

    O Globo, em 04/01/2017

    O ano mais longo de nossa história arrasta-se teimoso por 2017 adentro. Como o pesadelo que nos precipita num beco sem saída. E, no entanto, seguimos despertos, num misto de esperança e desencanto, a enfrentar a lide serpentária dos Três Poderes, com sua parcela de Napoleões de fachada na restauração do país, de que saímos todos com decrescente espessura moral.

  • Desbalanço

    O Globo, em 01/01/2017

    É difícil fugir à tradição: fim de ano, momento de balanço. Primeiro, do mundo, depois, do Brasil, na difícil tarefa de comprimir com algum senso o que se desdobrou por 365 dias. Parece que acabou a longa trégua mundial estabelecida depois da queda do muro de Berlim, da aceitação tácita pelos americanos de que a China existe e de que a Rússia “pode ser contida”. O terrorismo e o triste fim da intervenção no Iraque para “estabelecer a democracia”, somados às batalhas que Estados Unidos e Rússia, por interpostas mãos, enfrentam na Síria (com a participação marginal de europeus), são sintomas de que começam a se desenhar outras formas de equilíbrio/desequilíbrio no mundo.

  • Covardia e medo

    Folha de S.Paulo (RJ), em 01/01/2017

    Em crônica da semana retrasada, lembrei que o ex-presidente Jânio Quadros chamou de "poltrão" o ano que então se acabava. Ele próprio não sabia que era também um poltrão, daí que renunciou sete meses depois de ter tomado posse na Presidência da República, dando o pontapé inicial à ditadura militar.

  • Hoje Brasil é o país da corrupção e da violência urbana

    Folha de São Paulo (RJ), em 01/01/2017

    Em crônica da semana retrasada, lembrei que o ex-presidente Jânio Quadros chamou de "poltrão" o ano que então se acabava. Ele próprio não sabia que era também um poltrão, daí que renunciou sete meses depois de ter tomado posse na Presidência da República, dando o pontapé inicial à ditadura militar.

  • A mãe de todas as delações

    O Globo, em 30/12/2016

    A delação premiada de Emílio Odebrecht, presidente do Conselho da empreiteira que leva o sobrenome de sua família, pode ser considerada a mãe de todas as delações, não apenas porque ele escancarou as relações impróprias com seu amigo, o ex-presidente Lula, como ampliou o escopo do cartel que atuava na Petrobras e outras estatais.

  • Alternativa ao caos

    O Globo, em 29/12/2016

    O governo Temer preferiu criar uma solução compartilhada na renegociação da dívida dos Estados a dar uma lição pedagógica aos governadores que não fizeram seus deveres de casa, e cujos governos encontram-se em situação falimentar.

  • O fator desestabilizador

    O Globo, em 28/12/2016

    A decisão do ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Herman Benjamim, relator do processo de impugnação da chapa Dilma-Temer, de mandar, em pleno recesso, a Polícia Federal investigar as gráficas suspeitas de terem sido usadas na campanha presidencial de 2014 para lavar dinheiro da propina que a irrigou, reforça a indicação de que o relatório final será a favor da anulação da chapa.

  • Os apoios de Temer

    O Globo , em 27/12/2016

    Um presidente extremamente impopular como Michel Temer, cujo apoio está abaixo de 10% nas pesquisas mais recentes, conseguir montar uma base de sustentação no Congresso tão fiel a ponto de ter tido, segundo pesquisa do Estadão Dados publicada ontem, um índice de aprovação de 88% de suas iniciativas, é o paradoxo que rege nossa política atual, desafia os estudiosos, mas, sobretudo, inquieta os oposicionistas.

  • Amar os outros como a si mesmo

    Folha de S.Paulo (RJ), em 25/12/2016

    Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), em seu "Diário Secreto", Humberto de Campos, o maior cronista da época, comenta um telegrama da agência de noticias Reuters, narrando a noite de Natal vivida por franceses e alemães. Como se sabe, aquela guerra foi basicamente uma guerra de trincheiras: os alemães de um lado e os franceses de outro. A terra de ninguém, entre os dois combatentes, era mais ou menos de 100 metros.